Meninas Por Aí – 7 Bares em Buenos Aires

Ruas amplas, árvores e praças cheias de bossa, arquitetura rica e uma atmosfera boêmia definiram Buenos Aires para mim. A convite da minha mãe fiz uma viagem para BsAs com mais oito mulheres da minha família. Além de conhecer a cidade pensei que poderia fazer um tour pelos bares de uma das cidades mais noturnas do mundo e trazer para vocês mais um roteiro “Meninas por Aí – 7 Bares em Buenos Aires” . Decidi, junto a minha irmã Tati, desgarrar da turma e fazer da viagem uma oportunidade para conhecer uma BsAs que os turistas não conhecem. By the way, na minha opinião, esta é a melhor forma de conhecer um destino, fugindo dos pontos turístico e experimentando um pouco da vida de quem habita o local!

Ao planejar meu final de semana lá, pesquisei umas hashtags no Insta e postamos um pedido de ajuda aos nossos seguidores que gentilmente sugeriram um montão de coisas legais. Na busca encontrei a Amanda Mormito, do Blog Buenos Aires para Chicas e a Isla Montalier do IG Buenos Aires Para Donde Voy, duas brasileiras que moram em na capital Porteña e que toparam me guiar pela noite da cidade. Me surpreendo com o poder das mídias sociais de conectar pessoas ao redor do mundo, é muito bacana encontrar na vida real pessoas tão legais que conhecemos no virtual!

Ficamos no Hotel El Conquistador, no centro de Buenos Aires, bem pertinho da Recoleta e Puerto Madero. O hotel é ótimo para a categoria, fica em uma rua tranquila, com um bom restaurante e um mercadinho a cinco passos da porta da recepção. Assim que chegamos eu e a Tati decidimos dar uma volta no quarteirão para conhecer a área ao redor do hotel. Achamos a lojinha Bora Cervezas Artezanales da Patagonia, com vários tipos de cervejas diferentes. Pena que estava fechada e não conseguimos comprar nada, mas de qualquer forma fica a dica para quem quer comprar cervejas diferentes por lá.

Cervezas

Na sequência, encontramos o resto do grupo para um lanche no Datri Café na esquina do hotel. Um lugar fofo, todo arrumadinho, com tapas e cervejas artesanais. Também aproveitamos para passar no mercadinho e abastecer nosso frigobar com cervejas locais. Compramos Quilmes (Cristal, Bock e Stout), Patagonia (lager e red) e Stella Noir. Todas foram novidade para nós. A Quilmes Stout e a Stella Noir ganharam nosso coração!

Datri Café

Tínhamos três dias e duas noites, então precisávamos escolher com cautela os bares que visitaríamos. Na sexta, nossa primeira noite, encontramos a Amanda que sugeriu três bares em Palermo, bairro mais badalado da cidade. Nos encontramos na Antarez Cervejaria Artesanal, mas estava muito cheio e teríamos que esperar ao menos 40 min. Como nosso cronograma era apertado, decidimos comer algo em outro lugar e seguir pelos bares escolhidos por ela. Uma pena, o lugar parecia muito legal!

Comemos um hambúrguer de cordeiro com queijo de cabra, batatas doces fritas e Cerveja Goldrush da Grunge Brewing Company no Ninina Backery. O Lugar tem uma decoração linda, atendimento atencioso e uma comida bem gostosa.

Ninina

Seguimos a pé (como é bom curtir um passeio noturno a pé!!), para o The Harrison Speakeasy, um bar secreto que remete a época da lei seca americana, quando era proibida a comercialização de bebidas alcoólicas nos EUA. Aliás, a maioria dos bares tem essa vibe em Buenos Aires, são escondidos, em uma portinha discreta ao fundo de algum lugar. Conseguimos entrar com a ajuda da Amanda que tem um member card, pois lá só entram membros ou pessoas que jantaram no Restaurante Nicky NY Sushi, onde o bar fica escondido.

Entramos no bar por um armário dentro de uma adega, onde uma hostess conta a história do Nicky Harrison e nos passa as regras do estabelecimento. A principal delas é que é proibido fotografar para que lá  continue sempre secreto. Uma pena, pois a decoração é impecável, uma reprodução dos bares da época, com riqueza em cada detalhe. E o balcão, ah que balcão lindo!!! Cardápios em forma de jornal dos anos 20, velas em todas as mesas, luz bem baixa, trilha sonora de blues´n´jazz e o cheiro de madeira envelhecida dos móveis determinam o tom do local. Uma experiência especial e surpreendente!! E para ficar perfeito, os drinques são de arrasar, bem feitos, preparados por bartenders charmosos e cheios de experiência. O head bartender é o especialíssimo Seba García, que nos recebeu com muito carinho. Sentamos inicialmente em uma mesa e depois conseguimos nossos lugares no balcão (ou na barra como chamam os porteños), e lá tomamos shots e mais um drinque para finalizar. Queríamos ficar, mas tínhamos outros bares para visitar. Voltaremos com certeza para ficar uma noite toda por lá, vale cada minuto!

De lá partimos para o Victoria Brown Bar, um bar com decoração inspirada na revolução industrial, com engrenagens nas paredes e tonéis em forma de lustre espalhados pelo salão . Maior  e com mais gente, o ambiente lá é bom para a paquera e tem uma vibe mais animadinha. É impressionante como os bares são pensados de forma minuciosa e cada detalhe é tido como muito importante. Os tragos eram muito bem feitos, escolhi meu bom e velho Old Fashioned e ele não decepcionou. Era diferente, tinha um toque mais amargo que o de costume, mas estava delicioso.

Victoria

Tínhamos marcado com a Isla para conhecermos o Rosebar depois do Victória, mas não foi possível, pois estávamos exaustas e já passava das três da manhã. Resolvemos deixar para o dia seguinte ou para outra oportunidade. De qualquer forma o Rosebar é recomendadíssimo e com certeza está na nossa lista para quando voltarmos.

Acordamos no sábado e resolvemos ir a pé até a Livraria El Ateneo, eleita a segunda livraria mais bonita do mundo. Sou um tanto desconfiada destes títulos amplamente divulgados, mas o local me conquistou e ficamos lá a manhã toda! Decidi ficar no setor de gastronomia enquanto minha irmã se esbaldava nas autoras feministas, afinal ela é a nossa colunista feminazi. Achei muita coisa bacana e acabei trazendo alguns livros com receitas de tragos para casa.

El Ateneo

A tarde pensamos em fazer uma paradinha no Bullers Pub & Brew, que estava perto do nosso rolê turístico pela Recoleta e, para nós, terminar um passeio com uma boa cervejinha é de lei! O bar estava meio vazio, era uma tarde cinza em Buenos Aires, sentamos na área externa, na praça, e pedimos o sampler das cervejas da casa, com uma porção de batata doce frita. Achamos a cerveja razoável, sem muito corpo e com um amargor muito presente sem acrescentar uma nota saborosa à receita. Não achamos o bar um lugar incrível, é razoável, perto dos outros bares de Buenos Aires, este deixa muito a desejar.

Bullers

Voltamos para o hotel e a noite nos encontramos com a Isla, do Buenos Aires para Donde Voy. Ela nos guiou por mais três bares e foi uma querida também! Começamos pelo The Temple Bar, na filial que ficava no quarteirão do nosso hotel. Não é a filial mais bacana, mas é um pub interessante, bem decorado, passamos para conhecer já que ficava literalmente a alguns metros do hotel. Não conseguimos ficar mais que cinco minutos, pois estava muito, muito cheio e achamos melhor ir para outro local. A matriz do The Temple Bar, segundo a Isla, é muito mais bonito e merece uma visita. Fica para próxima!

Seguimos para o Gran Bar Danzón, outro bar na Recoleta super recomendado! Descemos do táxi e vimos uma portinha na calçada, sem identificação nem nada. Fiquei receosa, pensei que podia ser uma furada, mas minha opinião já mudava ao subir as escadas e quando entrei, me apaixonei! O lugar é lindo, com decoração contemporânea, iluminação perfeita, luz baixa e gente muito bonita. Não conseguimos sentar na barra, mas fomos rapidamente acomodadas em uma mesa. O atendimento demorou um pouco para começar, talvez devido ao grande número de pessoas. Como estávamos encantadas com o local e o papo estava ótimo, acabamos por nem sentir muito. Pedimos os nossos tragos e de entrada uma Tarte Tartin de Maçã e Queijo de Cabra (AMO queijo de cabra!). Estava DI-VI-NA! Uma festa na boca! Os drinks também eram bons, mas a comida é mais marcante. Para o prato principal, pedimos Pato com Creme de Castanhas (feito com perfeição), e Polenta com Carne de Cordeiro. Os dois estavam DE-LI-CI-O-SOS! A Isla foi de sushi vegetariano e também gostou muito.

 Gran Danzon 1

Gran Danzon 2

De lá fomos para nossa última parada, o Florería Atlântico, segundo colocado no The World´s 50 Best Bars. Também na Recoleta, fica numa rua charmosa, cheia de bossa. De fora, parece só uma floricultura (linda), que também vende vinhos, mas existe uma portinha, que te leva à um porão com um balcão comprido e uma decoração desconstruída, com cara de que precisa de restauração mas é intencional sabe?

Conseguimos nossos três lugares na barra e fomos prontamente servidas com água em copos lindos, fofos! A água lá é cortesia, um mimo que ao meu ver é muito carinhoso e inteligente. Pegamos o cardápio e começamos a escolher nossos tragos. Os nomes eram inusitados, a Tati foi de Mary Poppins goes Punk, com notas adocicadas e canela e a Isla optou por um mais refrescante e com espumante. Eu fui de British Worker, com uísque na composição, um dos meus ingredientes favoritos num drink. Os três estavam ótimos, bem feitos,  elaborados com sabedoria. A decoração era linda, em canecas de ágata e taças charmosas. Infelizmente não conseguimos comer, a cozinha já estava fechada devido ao horário, chegamos às duas da manhã! Num contexto geral o bar é charmoso, o atendimento é bom, o ambiente é agradável, mas não está no topo da lista dos meus melhores bares… Sentimos falta de nos relacionar mais com os bartenders, gostamos do balcão pela interação com o universo de quem está do outro lado, pelo show e a oportunidade de conhecer coisas e pessoas novas. Lá os bartenders não estavam muito pra papo e também não nos guiaram pelas opções de drinks. Senti falta de um chamego que é usual na barra!

Florería

Buenos Aires deixou saudades no meu coração, voltarei em breve Mi Buenos Aires Querído, para mais tragos e mais bares marcantes!! Cheers!

Meninas Por Aí – Tour Cervejeiro em Pinheiros

O nosso Projeto tem nos presenteado com experiências muito especiais, é muito gostoso transformar encontros virtuais em encontros reais. Tivemos a felicidade de sermos apresentadas ao Beer Sommelier Luís Celso Jr., do Blog Bar do Celso. O conhecemos por intermédio do Eduardo da Tv Cerveja no Terceiro Encontro Gourmet, no stande da Cervejaria Baden Baden. No dia seguinte, tivemos a surpresa de reencontrá-lo no Aconchego Carioca no lançamento da Cerveja Electra. Lá tomamos umas cervejas juntos e ele gentilmente topou nos guiar por um Tour Cervejeiro no Bairro de Pinheiros, em Sampa. É claro que adoramos a ideia e marcamos  uma data logo na sequência.

Data marcada, roteiro definido e horários ajustados. A intenção era fazer as quatro principais cervejarias do bairro e degustar as cervejas e petiscos de cada uma, tudo com o acompanhamento do especialista no assunto. Decidimos fazer o tour a pé e de bike devido a proximidade dos bares e também porque beber e dirigir não é uma boa combinação. Confiram no mapa nosso itinerário.

A primeira parada foi no Empório Alto dos Pinheiros, lugar com uma imensa variedade de rótulos e gadgets cervejeiros, além das mais de 30 torneiras de chopes de diversas marcas nacionais e importadas. Com certeza é um dos bares mais completos do ramo da cerveja. O cardápio de lá também é bem bacana, com petiscos de boteco, sandubas e pratos mais elaborados para harmonizações de todos os níveis. O local é o ponto de encontro dos beer geeks, donos de cervejarias e entendidos do assunto. Predominava o público masculino, mas o Celso disse que o feminino vem crescendo no consumo de cervejas artesanais. Adoramos a ideia do EAP de ter mesas externas compartilhadas que estimulam o relacionamento entre pessoas desconhecidas, porém, achamos o serviço um pouquinho demorado! Também sugerimos que os toaletes do térreo sejam repensados para as meninas! Cerveja e fila no WC não combinam, certo girls?

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Escolhemos, com auxílio do Celso, um mix de variedades de chope para entendermos um pouco a diferença entre um tipo e outro acompanhado de petiscos leves e kaftas de cordeiro, pois estávamos só começando. Além do mix, pudemos experimentar, uma cerveja curtida em barril de uísque, achamos sensacional!!!

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Nosso tour seguiu e paramos no novíssimo Café Delirium São Paulo, recém inaugurado. Fomos acompanhados pelo Paulo (sócio do EAP e do Delirium Café), que  nos conheceu na primeira parada e caminhou conosco até sua outra casa. Ele nos apresentou toda a instalação e nos acompanhou na rodada de cervejas também. O local é muito bonito, com decoração bem pensada, vários ambientes diferentes, gente bonita e muitas mesas cheias de meninas apreciando cervejas especiais. A promessa é de terem uma lojinha com muitos itens e acessórios da Delirium para quem é fã da marca. Nós adoramos o elefantinho rosa, a Dri quer um para decorar a casa dela e a Carol quer uma torneira de chope de elefantinho cor de rosa!

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Optamos por Cervejas Belgas, país de origem da Cerveja Delirium, por sugestão do nosso guia. Escolhemos dois rótulos da Delirium e outros chopes belgas, acompanhados de batatas belgas (elas são importadas de lá), e coxinhas pra manter o nosso clima de boteco, rs! A casa tem uma carta gigante de cervejas e um cardápio interessante. Está num esquema de soft opening e ainda não tem tudo disponível para venda mas acreditamos que a cozinha de lá pode vir a ser bem interessante. Vale voltar mais vezes para conferir.

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A terceira parada foi na Cervejaria Nacional, com seus dois andares cheios de mesas e muita gente bonita também. Por orientação do Celso, deixamos para comer de verdade lá, pois, segundo ele, era o melhor custo benefício. O local é bem bacana, não tão bonito como o Café Delirium, mas conquistou pelo atendimento e pelo clima. Só faltou uma área externa, mas é compensado pelo ambiente interno super agradável e amigável.

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Pedimos o Sampler de Chopes da Casa e  tivemos uma explicação combinada do staff e do nosso beer sommelier. É muito legal aprender sobre o mundo das cervejas de verdade!! Para comer, fomos de burgers, o Maracanã e o Minerão (deliciosos), e uma entradinha de pão de malte com manteiga de cerveja! O cardápio de lá tem várias coisas com malte! Pão, pudim, sorvete de cerveja! Sem dúvida o cardápio mais interessante do passeio. Ficamos com vontade de voltar várias vezes para comer mais! As porções são generosas com preços bem justos. Dica: lá a água é cortesia, eles servem a água que é tratada para ser usada na fabricação da cerveja. Um mimo inteligente e carinhoso! O atendimento da Cervejaria Nacional foi, com certeza, o melhor de todos, atencioso, rápido e eficiente.

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Terminamos nosso Tour Cervejeiro em Pinheiros no Brew Dog Bar, cervejaria com cara de menino e decoração inspirada em oficina mecânica. A cerveja é ótima, bem tirada mas o atendimento é OK,  você retira tudo no balcão e ainda cobram 10%. O cardápio de lá é bem restrito, tem poucas opções, basicamente só petiscos e alguns burgers. Definitivamente não é um lugar para comer e ficar muito tempo, na nossa opinião, ficar levantando toda hora para pegar bebida não combina com botecagem. Vale pela cerveja boa e para conhecer o conceito, também comprar algumas garrafas e levar para casa.

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Foram visitadas quatro cervejarias, com aproximadamente oito horas de duração. Pode até parecer cansativo, mas foi muito, muito divertido. Em cada parada conhecemos pessoas diferentes, algumas nos acompanharam na caminhada e ao longo do processo iam abandonando o barco. Fora que a oportunidade de caminhar, a pé, em Sampa é revigorante, com amigos e sem a correria padrão, é algo quase inusitado. Saímos do tour com uma bagagem que nos permitirá consumir cerveja com outros olhos e outro paladar. Definitivamente iremos beber melhor daqui em diante.

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Celso, Carol, Tati, Dri, Paulo, Liane e Orlando