Coluna do Felipe Valente – Não sejamos encostos

Minha mulher combinou um boteco com as amigas e me chamou. Devo ir?

A resposta é: depende. Muito. Depende muito mesmo!

É claro que há casais e casais, mas vou usar como base o meu relacionamento. Eu sou oficialmente um “Menino no Boteco”, e a minha mulher vem há anos contribuindo para o sucesso dos estabelecimentos dedicados à boemia.

No caso dela, as meninas frequentemente combinam aquela cervejinha durante a semana para dar uma quebrada na rotina e, às vezes, o plano invade o final de semana para algo mais elaborado. Em algumas ocasiões, o encontro conta com casais, mas é bem mais comum o planejado ser um encontro só para meninas. Como tudo é sempre muito bem conversado entre nós, rola aquele convite extensivo por educação, sem muita insistência. Confesso que na maioria das vezes eu passo a vez e entendo o recado, deixando-a à vontade para se divertir com as amigas sem a minha ilustre presença. Porém, algumas vezes eu também quero tomar umas, descontrair, e aceito o convite. Depois de alguns desconfortos, posso afirmar que a minha presença arruinou, por vezes, o plano original das meninas.

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Foto: www.relationshipable.com

E a maneira mais fácil de entender o porquê de isso ter acontecido é fazer o caminho inverso: e se eu tivesse sido convidado para um boteco com a rapaziada e ela decidisse aceitar o meu cordial convite? (No próximo texto eu mostro como isso se daria!)

É fato que há assuntos em que as mulheres têm muitos pontos de vista convergentes entre si e absolutamente divergentes em relação ao que nós, homens, pensamos. Por isso mesmo, o ambiente do boteco tem que se manter sagrado para que elas (vocês!) opinem e filosofem sobre o que quiserem, do jeito que quiserem e de formas que a gente jamais concordaria.

Ali, rodeada de amigas, devem vir à tona segredos (quem não os têm?), brotar saudosismos e jorrar sentimentalismos que só poderiam ser compartilhados e, logo, compreendidos, com as amigas. E eu acredito que a minha mulher precisa sim ter preservado esse bendito momento da união entre álcool e fraternidade feminina, sem que a minha presença reprima a essência livre que toda mulher precisa conservar.

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Foto: terripaddock.com

Por isso, sem jamais querer deixar uma ocasião leve como um encontro de meninas no boteco em algo sério demais, gostaria de finalizar lembrando que é saudável, sim, o parceiro estar, eventualmente, presente quando a mulher se reúne com as amigas; mas que é essencial, também, compreender em qual ocasião a presença dele é realmente bem-vinda e quando ele será um encosto daqueles, que, por mais legal que seja, conseguirá ser a pior companhia não só para a mulher dele, mas o responsável por arruinar a reunião abençoada das meninas no boteco.

Por Felipe Valente

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Coluna do Felipe Valente – Primeiro encontro no Boteco

Antes de ler, assista a este lindo ad que a Lacoste lançou ano passado:

 

Por mais intenso e envolvente que seja, esse comercial retrata o que eu enxergo quando me questiono se o boteco é o lugar ideal para o primeiro encontro.

Muitos casais que estão juntos há pelo menos 2 anos viveram histórias interessantes no primeiro encontro.

Porém, em uma época como a nossa, em que nossos contemporâneos “jovens, pero no mucho” cada vez mais têm lançado mão de aplicativos como Tinder e Kick-Off para talvez, quem sabe, na sorte, encontrar alguém com quem valha a pena sair do virtual e começar algo que pode vir a ser de verdade, o primeiro encontro acaba, necessariamente, tornando-se um momento-chave para o sucesso. E planejá-lo passa a ser uma tarefa estratégica.

Então, fica a pergunta: o boteco é uma boa opção para o primeiro encontro?

Na minha opinião, o primeiro encontro no boteco pode ser um fracasso ou um sucesso.

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Fonte: metlon_bkg_bar_couple

Fracasso, quase sempre, para quem pretende “se dar bem” de primeira. Se o seu plano é fazer número, jogar um charme mais direto, ganhar terreno, o boteco não ajuda muito, uma vez que a timidez e a mesa podem se tornar obstáculos difíceis de se transpor quando a intimidade ainda é mínima. Uma situação parecida com a retratada pelo nosso corajoso protagonista do vídeo.

É claro que existem maneiras de se ganhar proximidade – como aquela troca de lugar enquanto o date vai ao banheiro -, mas tudo depende muito do clima.

Agora, se a sua intenção é mostrar como você é legal, como pode ser uma boa companhia para ter espaço na mesa para um próximo (e talvez mais efetivo) encontro, o boteco é o lugar perfeito. É ali que vocês vão poder mostrar como tratam o garçom, como têm um repertório tão variado quanto interessante pra conversar, como ficam soltos com um pouco mais de álcool no sangue e, claro, como lidam com o momento delicado de dividir a conta.

Homens tendem a carregar para si a responsabilidade por encontrar o momento certo de agir, de “saltar”, como o rapaz do vídeo faz. E é claro que a queda se torna um voo incrível quando a companhia corresponde.

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Fonte: lacoste_big_leap

Mas, apesar de entender que nem sempre a atitude precisa se parecer com algo tão arriscado e imprevisível, tendo a acreditar que para o primeiro encontro vale muito a pena escolher um boteco e mostrar que você não é só uma companhia que “salta” e espera ser “resgatado”, mas também alguém com quem vale a pena ficar junto, com os pés no chão, depois de umas boas goladas, deliciosas porções e, se tudo cair bem, voar junto em qualquer ambiente.

Extra: a trilha do comercial é incrível, e você pode escutá-la na íntegra aqui.
https://soundcloud.com/flume/disclosure-you-me-flume-remix

Por Felipe Valente

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Coluna do Felipe Valente – Este boteco é de quem?

Este boteco é de quem?

O boteco sempre foi um reduto masculino. Sem juízo de valor, essa afirmação é tão verossímil quanto dizer que rosa é cor de menina.

Se sentiu provocada? Que bom!

O intuito aqui, no entanto, é muito mais quebrar o paradigma construído pela segregação dos gêneros ao longo da história do que o inverso, ou seja, manter o status quo.

Chega de papo chato.

O que pretendo mesmo é lançar um olhar masculino, naturalmente impregnado pela cultura dos territórios e comportamentos dos sexos, mas absolutamente aberto para entender o que acontece quando as ordens são subvertidas, quando homens e mulheres – meninas e meninos – se encontram no boteco e passam a coexistir e se entender, desprendidos da sensação de posse e, claro, com o copo sempre na mão.

A ideia por trás de trazer um homem para se infiltrar entre as Meninas no Boteco nasceu da possibilidade de buscarmos um ponto de equilíbrio, encontrarmos um Lado B, darmos um toque de controvérsia à linha central do projeto e, a partir daí, referendar o caráter democrático do boteco.

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Fonte: All Wingman Bar

Imaginamos que daqui diversas faíscas de opinião poderão gerar reflexões honestas e necessárias, nascidas dessas descobertas conjuntas, desses desconfortos e das possíveis divergências por vir.

É com muito carinho que aceito o convite de encontrar com essas meninas incríveis no boteco que elas escolherem. Quem sabe, eu não vou vestido com aquela camisa rosa que eu adoro?

Por Felipe Valente

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