Oi, eu tô aqui! Mulheres invisíveis no século XXI!!

Gente, vamos falar de coisa boa. Vamos falar de boteco, de cerveja gelada, coxinha, polenta e bolinho de bacalhau.

Tão bom combinar com um bom amigo aquele happy hour pra livrar a cara do stress da quinta-feira, neah? Legal!

Eu chego no bar, chamo o garçom, ele não vem, mas o boy chama, ele chega junto. Eu peço o cardápio, ele entrega pro boy; eu peço coxinha com polenta, ele entrega pro boy e me oferece um palmito; eu peço a cerveja, ele pergunta pro boy: Dois copos?

Beleza, estou no bar pra relaxar, diversão né?!? Meu amigo tá durango, vou fazer a noite pra aliviar. A conta, por favor? Tá na mão amigão. Opa, é para mim, será que eu estou invisível? Oi, eu tô aqui! Você não está me vendo? Ás vezes parece que não…. Eu adoraria ter um poder de mulher invisível, uma capa do Harry Potter, mas não tenho. Sou uma mulher comum. Uma mulher comum que vai pro boteco e tem a fala intermediada, que só bebe cerveja depois de autorizada pelo boy e só recebe a conta se ele quiser me entregar. Quer saber? Eu não gosto disso!!!

Ai Tatiana, como você é chata, isso não tem a menor importância. Não tem nadavê, é costume. Será mesmo?

Fiz uma enquete, falei cazamiga e, quer saber? Elas também percebem essa invisibilidade incômoda e elas também não gostam disso. A questão é que existe um comportamento arraigado, por vezes não intencional, de intermediação do contato entre o atendimento e a mulher, especialmente se ela está acompanhada de um homem. E dizer que “é costume” não alivia nada, aliás, alguém acha que isso é um argumento válido?

O fato é que em 1960 a mulher casada aqui no país não tinha direito a ter vontade própria, era uma incapaz (juridicamente, isso mesmo, como uma criança). Essa condição, bem como outros elementos de opressão e uma cultura extremamente patriarcal, condicionou o comportamento das pessoas na forma que descrevi ali em cima. Mas de lá pra cá a realidade vem mudando e acho razoável que os comportamentos se adequem à nova realidade, à realidade de mulheres capazes e livres, solteiras ou casadas, que não querem ser tratadas como tuteladas, não querem ser intermediadas, nem invisíveis.

Então, essa fala não é para reclamar dos garçons. Por favor, os garçons e garçonetes são as almas maravilhosas que trazem nossa cervejinha, não estou aqui para atacar essas boas pessoas. É só para avisar que eu existo, tenho vontade própria, não sou invisível, e que eu e muitas moças mais perceberíamos com satisfação um atendimento que estivesse atento à minha existência e às minhas vontades, mesmo quando eu estou acompanhada de um homem.

Nossa, mas como fazer diferente? Bom, isso aí eu deixo para as donas da casa, para meninas no boteco responderem e darem aquela forcinha no treinamento de pessoal.

Pra mim, uma cerveja por favor. E respeito, sem gelo.

Deixo aqui um vídeo que me inspirou a escrever este post. Espero que vocês tenham um tempinho de ver e que curtam!