Cachaças além do shot

Vinhos, whiskys, cervejas são oferecidos em diferentes estados, tomados puros, compondo drinks e “comidos” em pratos. Bem, a bebida brasileira também. A cachaça vai muito além do shot.

Como você viu nesse post, elas são garotas do Brasil, tem personalidades. Sempre sonhei em apresentar essas peculiaridades em um formato diferente. Através de harmonizações, realizei esse sonho com o Sabores Contados. O projeto itinerante e fundamentado em parcerias com diferentes profissionais eleva e dá uma nova imagem à nossa caninha.

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O chef Rodrigo Tristão conquistou minha admiração em minutos. Ele é o primeiro parceiro (muso) dessa empreitada. Além de ser um estudioso de cervejas artesanais, ele compartilha suas memórias nas sinceras criações do Boteco DOC de Ipanema. Esse jovem carismático, sorridente, de um talento comovente, é um verdadeiro apaixonado pelo Brasil. Ele trouxe o estímulo (e parceria) que faltava para colocar em prática o desejo de contar nosso país através dos sentidos. O apoio das cervejarias fluminenses Noi e Jeffrey além do recebido pela cachaça Preferida e Meu Garoto foi fundamental para isso acontecer.

Hoje trago para vocês, todos os detalhes desta primeira edição do Sabores Contados. 100% dos ingressos vendidos em uma semana. Responsabilizo essa lotação à tentadora proposta que trouxemos: as 5 regiões do Brasil em 5 etapas deliciadas de história contada numa harmonização de 5 cachaças premium, 5 cervejas artesanais com 5 pratos.

carimbo 880O evento começou com o Carimbó: cachaça com jambu Meu Garoto, suco de maracujá, gelo com raspas de limão e capuchinha (flor comestível). A doçura floral aliada à cica herbal da cachaça com jambu foi equilibrada com o toque cítrico e finalizada lindamente com a picância e azedinho da capuchinha.

Com linguagem democrática e informal orientamos que os convidados alternassem as ordens de degustação para explorar todas as possibilidades entre as combinações. Trouxemos as regiões e as principais migrações delas em sabores. Começamos com o Centro-Oeste pelo couvert:

Prato 1

• Rillette de pintado levemente defumado, geleia de pequi, torradinha de pão artesanal

• Bionda Oro Noi – Pilsen premium –RJ

• Cachaça armazenada em Freijó – PB

Quando a cerveja era bebida primeiro, a picância da cachaça era ressaltada e recebia um final defumado. A percepção do lúpulo aumentou na situação inversa. A delicadeza do pintado e doçura da geleia de pequi equilibrou essa primeira etapa.

Prato 2 - raphaA segunda etapa trouxe o Nordeste representado por:

• Ovo pochê, purê de cará, manteiga de garrafa, coentro, crocante de pele de frango

• Jeffrey Niña – Witbier – RJ

• Cachaça Preferida – Coxim – MS – armazenada em Jequitibá

Em nossos testes, confesso que me surpreendi com a beleza dessa combinação. O limão-siciliano da cerveja expandiu, equilibrou o prato com uma acidez deliciosa. O desaforado crocante de pele de frango recebeu um tempero rico de especiarias graças à aliança da Jeffrey com a Preferida Jequitibá.

Prato 3

A terceira harmonização apresentou o Norte e envolveu:

• Filhote grelhado, camarão, tomate assado e fumet de tucupi

• Avena Noi – Belgian Pale Ale – RJ

• Cachaça envelhecida em Amburana – RJ

O aroma e sabor doce da cachaça em Amburana evidenciou o amargor da cerveja. A cachaça recebeu um destaque às notas de canela e mel. A composição foi brilhantemente finalizada com a suculência do peixe e acidez do tucupi.

prato 4 rapha 2

Representando o Sudeste servimos:

• Barriga de Porco, milho assado e taioba

• Amara Noi – Imperial IPA – RJ

• Cachaça com Jambu Meu garoto – PA

Essa etapa ganhou meu coração. Vocês sabem que amo porco. Mas não foi só ele o responsável pelo meu favoritismo. A Amara com notas cítricas e florais em um mundo inteiro de lúpulo ajudou no equilíbrio da suculência da carne em contraste com o herbal adocicado da cachaça com jambu Meu Garoto. O formigamento característico da erva foi atenuado pela potente composição e o sabor de cada item foi destacado.

Desaforadamente delicioso!

prato 5

Terminamos a noite com a representação do Sul:

• Torta de maça com pinhão

• Rossa Noi – Irish Red Ale – RJ

• Cachaça envelhecida em canela sassafrás – RS

A torta estava delicada, sem muitos temperos, que foram trazidos através do sabor intenso de baunilha e canela da cachaça combinados com caramelo e tostado da cerveja.

A memória sensorial se faz a partir de uma associação entre sentidos e experiências. Somos capazes de distinguir 4 sensações: doce, amargo, salgado e ácido, mas o componente essencial para uma boa harmonização é o tom pessoal que cada um de nós acrescenta.

No Sabores Contados o objetivo é oferecer aos participantes uma experiência não só positiva com cachaça, mas uma experiência transformadora. Trazer o Brasil e a particularidade de cada cachaça e oferecer informação da bebida nacional aos próprios brasileiros.

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A motivação, parte mais importante desse projeto itinerante é a troca que multiplica. Oferecemos as comidas e bebidas e os convidados, as memórias que enriquecerão e serão enriquecidas. Enxergo como maior legado a disseminação da informação, desmitificação de conceitos pré-estabelecidos e a conexão positiva com nossa caninha. Esse é só o começo desse coletivo sensorial.

Por Isadora Bello Fornari

Sommelier e Embaixadora da Cachaça

Insta –  @isadinha

Fotos: Carolina Peixoto (destaque, 1, 2, 3, 5, 7 e 8) e Raphaela Perlingeiro (4 e 6).

Coluna da Isa – Blend da Vida

Sabe aqueles momentos de mudanças, transições além de nossa vontade? Parece que a orientação é: “Aprendeu as regras? O jogo muda!” Simples de entender, mas nem tão simples assim de aceitar. Bem-vinda(o) ao blend da vida!

Como já falei para vocês neste post aqui, as cachaças e os blends são extremamente únicos. Essa complexidade traz riqueza, beleza, às vezes até sensações difíceis de nomear. Enquanto bebia uma taça de uma delicada Garota do Brasil, minha mente foi longe e fiz uma analogia com a nossa vida.

Percebi o quanto nossa trajetória pode ser comparada à de uma boa caninha. Primeiro, a produção, que deve receber cuidados, assim como em uma gravidez bem acompanhada. Isso irá aumentar as chances do resultado, o bebê ou a cachaça, serem perfeitos e apresentem suas particularidades e talentos. Então, crescemos e bem como o envelhecimento da bebida nacional em uma madeira, nós fazemos uma troca e a assimilamos características. Afinal, o meio interfere na nossa personalidade e ela é lapidada conforme o tempo e ambiente que vivemos.

Há também momentos onde acontece uma união. Uma combinação genuína. Seja de amizade, familiar, amorosa ou profissional. Nos sentimos mais fortes, mais poderosos e de alguma forma, mais completos. Desde pequenos contamos com a mistura de ingredientes, energias e sentimentos indescritíveis. Um verdadeiro blend.

Também há vezes, que nos encontramos em situações desagradáveis como a de um gosto ruim, onde o que precisamos é simplesmente um tempero, um sopro de outros sabores (leia-se palavras ou doses de motivação) para continuar. São eles que alimentam nossa alma e nos ajudam a seguir.

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Foto: Harvard Business Review

Sendo assim, seguem aqui algumas boas sugestões (e fáceis de achar) de blends inspiradores para momentos que precisamos de um empurrãozinho.

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Providência – Buenópolis – MG

Envelhecida um ano em carvalho e amburana tem picância e acidez equilibradas, um aroma frutado e nota de baunilha. Possui personalidade igual de uma amiga sincera, daquelas que irá lhe ajudar a tomar atitudes certas.

A cachaça Providência foi homenageada na música “Memórias Conjugais” do adorável Paulinho da Viola e o nome é uma homenagem a um político muito requisitado e sempre que pediam alguma coisa pra ele, ele dizia: “Vou tomar uma Providência” – e saia para o seu escritório para literalmente tomar uma dosinha da Cachaça.

Weber Haus – Carvalho Cabreúva – Ivoti-RS

Envelhecida por 1 ano em tonéis de Carvalho Americano e 1 ano em tonéis de Cabreúva. É bastante aromática e doce, possui notas de especiarias com um toque herbal. Bem como uma confidente, ela trará conforto e aconchego.

Produzida por descendentes dos colonizadores alemães do Rio Grande do Sul e desde 1948 vem produzindo cachaças explorando toda variedade de madeiras e combinações com muito critério e qualidade.

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Encantos da Marquesa – Blend Cana – Indaiabira – MG

Ainda que branquinha, a combinação das canas Java (tipo de cana) das variedades branca e amarela conferem a essa garota adorável e intensa. O doce floral e aroma de cana bastante presentes recebem um aporte equilibrado de notas vegetais envolvidos numa textura aveludada com personalidade e picância.

A cachaça é produzida por um estudioso apaixonado que utiliza água de chuva na sua produção. Além de extremo cuidado em todo processo de produção e paixão, o rótulo foi desenvolvido pelo estilosíssimo vocalista da banda Móveis Coloniais de Acaju.

As mudanças, até as quais não influenciamos, são necessárias na vida para nos fazer ainda mais completos, perfeitos. Por tanto, que tal enxergar dessa forma: Tentar ver esse momento como parte da mistura do seu blend, como parte da mistura que é sua vida?

Até porque, só tem uma maneira de saber se ele está ficando bom: provando! Tim-tim!!!!

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Foto: the glenlivet

Fontes: Mapa da Cachaça (www.mapadacachaca.com.br)

Por Isadora Bello Fornari

Sommelier e Embaixadora da Cachaça

Insta –  @isadinha

Coluna da Isa – Você já experimentou Blends?

Você já experimentou blends? Essa palavrinha tem invadido cada vez mais nossa rotina. Minha ousadia me permite assegurar que SIM, você já experimentou blends!

 

foto destaque

Fonte: Bemlindona

O significado é combinar, misturar, formar um a partir de vários. A palavra blend derivou do nórdico e do inglês antigo, blanda e blondan. Encontrei registros da palavra do século XIII e XIV mas sou capaz de afirmar que a ideia de misturar seja tão antiga quanto a humanidade. Afinal, as pessoas são curiosas por natureza, não é mesmo?

Voltando aos dias de hoje, justifico minha afirmação porque muito antes de você se deliciar com um hambúrguer gourmet blend de carnes, há grandes chances de você ter já provado blends em bebidas: um chá, aquela cervejinha artesanal ou talvez no vinho que você tomou ontem.

O processo é particular em cada produto. Falando de líquidos, a mistura pode acontecer em diferentes etapas: no final de tudo, no meio ou início, com a união de ingredientes base, como em cafés. Um caso bem famoso é o Nespresso, grande parte das cápsulas é um blend e a empresa apresenta ter total consciência da complexidade e importância desse processo (além de imenso bom gosto para o garoto propaganda).

Um break para admirar o muso-delícia-sonho-das-nossas-vidas George Clooney e o gato do Matt Damon nessa propaganda bem-bolada. Porque merecemos, né?

 

Outro exemplo é o delicinha Johnnie Walker Double Black. O blend é elaborado a partir de whiskies de dois tipos, um destilado de cevada maltada e o outro de cereais não maltados que são produzidos em várias diferentes destilarias. Isso faz dele um Blended Scotch Whisky.

 O blend antes do raio gourmetizador já existia, amiga! Com o movimento gourmet, o blend se popularizou por aqui graças a esse universo fervoroso por novas sensações.

 Nas cachaças costumam acontecer blends também. O objetivo dessa junção sempre é trazer riqueza sensorial. Temos exemplos de blends de madeiras diversas, de período de envelhecimento variados e até mesmo de diferentes tipos de cana.

 O Rio de Janeiro fez, em março, 450 anos. Em comemoração à essa data o Engenho São Miguel convidou um grupo de especialistas em cachaça e em sabores para escolha de um blend comemorativo exclusivo do aniversário da cidade.

 Eu trabalho com eles no planejamento e execução da expansão da marca. A penetração aumentou em mais de 50% em bares e restaurantes do Rio mesmo durante o processo de reposicionamento de imagem. Tomei a liberdade de festejar isso nesse evento também.

Conversando com as #tophurricane, decidimos que seria bem legal contar essa experiência para vocês. Além de participar eu registrei tudinho para trazer em primeira mão aqui no Meninas no Boteco a 7 Engenhos Imperial. Olha que luxo a garrafa!

foto 2Foto: divulgação

O transporte para fazenda em Quissamã saiu do Rio de Janeiro cedinho e em algumas horas, eu e mais de 20 convidados fizemos um pequeno city tour guiado pelo produtor Haroldo para nos familiriazamos mais com a proposta. Sabe o que mais acho bacana? Esse produto não é uma embalagem bonita, um rostinho bonito sem conteúdo. Com esse produto a família proprietária do Engenho São Miguel comemora também a sua tradição.

Vamos contextualizar esses mais de quatro séculos de história?

  • A primeira atividade econômica estruturada no Rio de Janeiro, logo no início da sua fundação, foi a produção de açúcar e cachaça.
  • Antepassados do produtor Haroldo Carneiro da Silva acompanharam Estácio de Sá na fundação da cidade do Rio, em 1565 (tem até um diploma comprovando isso!)
  • No início do século XVII, a família já produzia açúcar e cachaça na Ilha do Governador, na época conhecida como Ilha dos Sete Engenhos.
  • No final do século XVII, trocaram as terras da Ilha do Governador por terras em Quissamã, litoral Norte do estado Fluminense e mantiveram o cultivo canavieiro mesmo em momento de retração do açúcar.
  • Com a chegada de D. João VI, em 1808, o açúcar recebe novo impulso, Quissamã vive seu esplendor e chega a possuir 7 engenhos, todos pertencentes à mesma família.

Ou seja, o “SETE” acompanha os Carneiro da Silva há muito tempo. Descobri ainda algumas outras coincidências bafônicas sobre isso. O termo imperial do nome é uma homenagem ao símbolo da estrada que leva ao Engenho São Miguel, toda margeada por gigantes Palmeiras Imperiais do século XVII, além de remeter ao Império (não a novela, o do Brasil); Há sete gerações eles atuam no ramo; Cachaça tem sete letras. Enfim, esse algarismo é muito mais que um número primo para eles. Desenvolver esse blend foi a forma que encontraram para compartilhar com a gente toda essa bagagem.

Visitamos o engenho e Haroldo nos mostrou todo a produção artesanal e seu processo sustentável. Nada de agrotóxicos, a cana é cortada à mão, moída sem picar, a influência que a fermentação cuidadosa tem nos aromas e características da cachaça, destilação em alambique de cobre, separação do coração da cabeça e cauda. Falando nisso, esses dois últimos jamais devem ser consumidos. Lá, eles fazem a cachaça do coração e o resto transformam em etanol. Sim, o que você usa no seu carro! Logicamente, não se deve consumir cachaça que contenha essas partes. Além de garantir a ressaca são seriamente nocivos à saúde.

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Foto: Berg Silva

Chegamos na fazenda de arquitetura colonial branca e azul. Muito bem conservada, florida e cheia de frutas e legumes por ali. Confesso que sempre me seguro para não subir numa árvore de tamarindo e-nor-me que se exibe ao fundo do gramado.

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 Foto: Berg Silva

Controlado meu impulso de macaca, sentamos à mesa provida de água de coco, pães e melão para limpar paladar. O objetivo era, em um teste cego, avaliar e dar notas aos diferentes atributos dos 5 blends que Haroldo fez questão de desenvolver ele mesmo. Cada um deles com diferentes proporções das cachaças armazenadas e envelhecidas em quatro variedades de madeiras.

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 Foto: Berg Silva

Recebemos fichas de análise e canetas. Nós não sabíamos as proporções da mistura de nenhum blend. O que nos guiava eram os aromas e sabor. A cor e licorosidade também são importantes em uma apuração. Aleatoriamente recebemos os copos numerados. Cada lado da mesa recebia blends diferentes. Ao fim do processo, apuradas as notas, o blend que irá representar essa narrativa fluminense foi eleito. E mesmo antes da apuração, em conversa com outros participantes, foi clara a predileção.

É um baita desafio traduzir em sabor tanta história e tradição.

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Foto: Berg Silva

Ao meu entender blend indica uma união harmoniosa, cuidadosa e estudada. Deve ter um proposito e não ser só um mexidão. A Cachaça 7 Engenhos Imperial trouxe nesse líquido a combinação das madeiras amendoim, bálsamo, carvalho e cerejeira. Uma generosa celebração da história em sabor e aroma. Não vejo a hora que ela comece a vender!

Um viva aos blends!!

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Foto: Berg Silva

Isadora Bello Fornari / Sommelier e Embaixadora da Cachaça / @isadinha

Links:

http://dictionary.reference.com/browse/blend

http://www.etymonline.com/index.php?term=blend

https://www.nespresso.com/br/pt/pages/a-mistura-do-cafe

Coluna da Isa – Meninas na Cachaça

O Brasil por sua dimensão e cultura apresenta contrastes, mistérios, fés, particularidades e sabores em cada pedacinho colorido de chão. As cachaças refletem isso, são uma forma de sentir e reconhecer essa identidade tão diversa em um ou alguns goles.

A cachaça é o destilado de maior riqueza sensorial! Não só pelas particularidades territoriais e humanas de cada produtor, mas também pela variedade de madeiras brasileiras em que se pode envelhecê-las!! O resto do mundo só tem o carvalho. Ela é a nossa bebida nacional e garanto, é incrível.

Cahcaças

Foto: Alambique da Cachaça

As Cachaças de Alambique são garotas do Brasil, todas diferentes entre si. Compostas por porções de doçura, delicadeza, perfume, história e intensidade. Seguindo esse raciocínio costumo brincar que, como uma boa mulher, se você não respeitar e escolher bem, ela te derruba, te faz fazer besteira e dá dor de cabeça. rsrsrs
Antes de mais nada quero esclarecer que isto não é uma visão machista! Simplesmente considero que sim, pessoas são complexas e mulheres mais ainda. Por isso digo que nós, mesmo que “iguais”, sempre reservamos mistérios e personalidades únicas.

Ah, só um dado observado por mim, que não é mais novidade: As mulheres estão, a cada dia mais, ganhando espaço no mundo dos copos pela competência. E destaco profissionalismo das saias nessa tarefa desafiadora e deliciosa!

Não é de hoje que as mulheres tem um papel fundamental na cachaça. Um vídeo que explica um pouco dessa atuação com a autora do livro “Cachaça, um amor brasileiro”, Alessandra Trindade, foi gravado pelo lindo projeto Mapa da Cachaça. E, super vale curtir essa iniciativa cheia de brasilidade e conteúdo!!!

 

Já que somos do boteco, vou dar algumas dicas para quem tiver interessada em se deixar seduzir pela nossa caninha. Cada uma delas tem seu encanto!

Primeiro, para ser cachaça, deve ser o destilado da garapa, produzido no Brasil, possuir de 38% a 48% de graduação alcoólica e não conter adição de nenhuma outra coisa. Bebidas mistas de cachaça com algo doce são aguardentes compostas de um destilado com adição de alguma outra coisa.

Se você pensa que não gosta de cachaça, se dê mais uma chance! Xô, preconceito!! A experiência positiva depende da escolha e de você descobrir seu paladar. São mais de 4.000 produtores registrados no Ministério da Agricultura!!!

Prefira as artesanais de boa procedência. Para encontrá-las o mais garantido é ir a um bar que trate elas com amor e carinho. Como saber isso? O uso da cachaça nesse lugar vai além da caipirinha! Nesses lugares nossa bebida estará em destaque, em drinks e/ou em doses servidas com muito respeito e louvor.

Achou o lugar? Siga as dicas abaixo:

1. Veja os rótulos e não tenha vergonha de pedir para lê-los, observe a inscrição do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), e o registro;
2. Abra a garrafa, os aromas você perceberá melhor ao passear algumas vezes de um lado ao outro na linha abaixo do nariz. Veja o que acha;

Coluna da Isa

Foto: Gui Gomes

E vale sempre a dica do garçom. Afinal, eles são nossos maiores amigos, não é mesmo? Quem conhece melhor o bar do que eles??? Se sentiu interessada?

3. Peça uma dose!
4. Observe a limpidez dela. Ela deve ser transparente. Gire um pouco o líquido, observe se cria lágrimas (Sim! Igual ao vinho). Perceba se é mais ou menos “licorosa”, saca??
5. Sinta os aromas novamente e tente encontrar notas familiares e que lhe agradam!

Só uma pausa: a gente não vira num gole só coisa boa, não é mesmo? Se toma em um só gole coisas que não se quer sentir o gosto. Tipo remédio! E, gente, nada de abrir a boca e fazer aquele som de “tchá”, por favor! Não favorece em nada a degustação e não é nada elegante!

Continuando:

6. Molhe a boca, um pequeno gole;
7. Deixe ela percorrer toda sua língua por alguns segundos. Perceba ela. Repare a doçura, a picância (uns tilintins sapecas como formigamento), a acidez, o frescor e o caminho que ela parece fazer na sua boca;
8. Engula e note o gosto. Se se transforma, quanto tempo dura;

Há quem diga que sente melhor os aromas se soltar o ar, dar o gole, fechar a boca, deixar a cachaça passear na língua e a primeira inspiração após gole ser através do nariz.

9. Repita as etapas quantas vezes achar necessário!!!!

Perceberam como é envolvente? Sinuoso e sensual? O processo todo é regado de paquera, carinho, descoberta. A cada dia ela faz mais corações apaixonados. E tem como resistir a tanta personalidade e doçura???

Sempre me surpreendo em #meusdiascomela.

Isadora Bello Fornari / Sommelier e Embaixadora da Cachaça / @isadinha