Coluna da Amanda Mormito – Sobre Coquetelaria: a Iniciação

Foram 9 anos vividos em Buenos Aires, mas apenas 4 meses para aprender a adorar tudo o que um bar pode proporcionar, algo que vai além de uma bebida bem executada, uma experiência gostosa cheia de lembranças. Eu tinha 19 anos quando comecei a frequentar bons bares, com boa coquetelaria. Apesar dessa iniciação ter começado com um ex namorado e um ex ficante, não tenho porque retirar a importância do bar que exerceu nesse meu gosto pessoal, grande importância nessa trajetória etílica.

Apesar de no começo ter sido sim um pouco preconceituosa com tragos e seu universo (afinal ninguém sai amando e tomando um Old Fashioned do dia para noite, uma vez por semana), foi a cultura de bar que me fez ver que, na realidade, aquela caipirinha que eu sempre pedia e – “como mucho” – o Sex on the Beach não eram um terço sequer do que eu poderia chegar a provar de um menu de drinks.

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Voltando a Buenos Aires, foi o Frank’s Bar que despertou a minha paixão por cocktails. O speakeasy mais famoso da América Latina foi minha casa desde 2010. Me lembro que naquela época era impossível até mesmo encontrar o bar, não existiam dicas de senhas, nem muito menos páginas nas redes sociais que delatavam as mesmas. Era necessário ser amigo de alguém lá dentro. Não me perguntem como, mas fui parar lá e depois que achei não quis mais sair.

Todas as quintas-feiras eu me sentava no mesmo lado do balcão e pedia algo diferente para provar. Aos poucos fui conhecendo cada bartender e fiz amigos de barra também. Não vou mentir dizendo que foram os cocktails que me apaixonaram logo de cara e sim toda a experiência. Tive sorte, de qualquer maneira, de cair em um bar repleto de profissionais excelentes e álcool de boa qualidade, porém era o conceito todo que me fascinava (e me fascina até hoje).

Sempre que me perguntam porque eu amo drinks tenho várias respostas na ponta da língua. Primeiro eu gosto do sabor. Um trago bem elaborado requer preceitos de cozinha também: é preciso harmonizar, pôr a dose certa de cada componente, ter uma apresentação legal (ainda que não seja primordial). Não dá para sair colocando tudo sem testar, sem provar. Um bom trago precisa ter qualidade.

Costumo dizer que drinks são sensíveis. Tem que saber a ordem certa de pôr cada álcool, o momento correto de refrescar um copo e sentir a temperatura ideal que a coqueteleira te avisa. Não é simplesmente pegar tudo, misturar e servir, longe disso. Aos poucos, seu paladar vai acostumando e deixa de ser algo tão complexo de entender.

Sempre quando uma pessoa me diz que não gosta de drinks eu pergunto se já provou um trago de verdade. Eu acredito, de verdade, que não é possível não existir um drink bem feito, que até o mais exigente não goste e que não atenda até aos paladares mais chatos da vida. Há tanta variedade de álcool e de misturas nesse universo que a gente poderia passar a vida toda comentando sobre. O que falta é a popularização do setor.

Um bom exemplo é o Dry Martini, conhecido por ser famoso nos filmes do 007, é um drink que todo mundo conhece, mas é para iniciados. Não adianta nunca ter pisado fora da zona de conforto da caipirinha para chegar em um bar e pedir um desse. Para paladares ainda não avançados é legal começar com drinks cítricos a base de vodca e depois gin, drinks mais doces e frutados nos quais o álcool sozinho não é a grande estrela da composição.

Não é controverso começar a tomar cocktails gostosos que não tenham sabor a álcool. Pelo contrário, há bares e menus com excelentes opções de Gin Tonics, por exemplo, que são um belo começo e reinam mundo afora.

Me lembro bem que antes de me aventurar por drinks mais amargos, meu preferido era o Ginger Martini, uma combinação de vodca, licor de gengibre e suco de limão. Os ingredientes são simples, se você pensar separadamente limão e gengibre dão um belo suco que não tem como ficar ruim e dentro da seleção coqueteleira, a vodca tem um sabor neutro e é tão versátil quanto uma calça jeans.

Ainda que o Ginger pareça um drink simples, a vodca é bem versátil. Outro drink que provei recentemente e que achei uma bela iniciação é o Ketel One Jerry Collins, com xarope de hibiscos, limão siciliano, soda, manjericão, amêndoas e algas marinhas para finalizar. Jairo, autor do drink e head bartender do bar The Sailor, pub consagrado de São Paulo, disse que o drink se parece a um aquário para homenagear Jerry Colins (tatuador norte americano reconhecido que amava desenhar coisas náuticas). A vodca Ketel One aqui é uma das preferidas dos bartenders. E de novo, se separamos ingrediente por ingrediente já dá para sentir que o drink vai atender paladares mais docinhos pela presença do xarope de hibiscos, limão e soda. Os outros elementos da bebida vão dar um toque mais secundário a mesma e faz parte do jogo tentar encontrar seus aromas e sabores quando degustar a bebida.

The Sailor
Segundo ponto pelo qual amo drinks. Dentro do universo alcoólico, o bartender é, entre poucos profissionais, uma pessoa que tem sim o poder de convencer seu público a tomar algo do menu. Um bartender tem a chance de se aproximar ao seu cliente, incorporar até um personagem sedutor, papel que um sommelier de vinhos ou cervejas talvez não tenha tanta liberdade e espaço para fazer. O que eu quero dizer é que poucos profissionais do meio têm tão fácil acesso ao seu público como um barman, e é necessário usar isso a favor. Uma boa conversa ou uma atenção especial muda completamente uma experiência, até mesmo a chegar no ponto de querer ir a “x” bar porque “x” bartender vai estar.

A figura do barman também é algo que acredito deva ir mudando aos poucos. Antes de tudo existe o respeito e a admiração pelo o que os caras fazem, logo depois a certeza ao saber que dependendo do teu dia, a pessoa pode te proporcionar uma baita de uma experiência.

Longe de querer fazer propaganda de marca, a Tanqueray tem uma bela publicidade sobre o papel dos bartenders dentro do nosso universo. As cenas igualmente se passam em um bar de Nova Iorque, uma cidade referência no assunto que já tem um público bastante iniciado no quesito. É legal ver através desse vídeo o conceito de um bartender aos olhos dessa clientela.

Apesar do vídeo ter um apego comercial fundamental, deixa bem explícito que uma boa noite em um bar se deve muito ao bartender, é interessante ver esse lado da experiência.

Falando de experiência então, esse é o terceiro motivo pelo qual eu amo um drink. Assim como o sabor e o profissional tendem a valorizar o momento, um bar abre portas para muitas sensações. Isso vai depender da iluminação, música, ambiente, decoração do local, também.

A experiência é o que você vai mais lembrar e faz parte da venda de um produto como qualquer outro item importante. Ainda vou dedicar um post inteiro a explicar sobre isso, mas por hoje basta saber que tão importante quanto ter um trago bem executado é ter um conceito que o abrace. Um trago sozinho se não houver uma boa ambientação é tão incompleto quanto um bar lindo que não executa bem os drinks do próprio menu.

Entre tantas premissas, o fato é que nossa coquetelaria é algo novo. Vem surgindo aos poucos e deve levar anos até se tornar referência. A classe vem enfrentando suas primeiras reações, pré-conceitos e divergências e é difícil sair pedindo drinks clássicos se você não sabe ao menos entender o que vem escrito em cada sugestão de trago de uma carta.

Agora, tão difícil quanto entender o que diz cada cocktail e sua composição é também achar quem o explique facilmente, sem detalhes técnicos e sem tornar o assunto menos atrativo para quem começa agora. Grande parte do desafio em popularizar esse segmento é mostrar para o público que ainda que os nomes soem longos e complicados, juntos podem trazer sabores únicos para cada mistura.

Resolvi fazer esse primeiro post de iniciação pra desmitificar um pouco mesmo essa parede que temos no universo dos tragos. E assim, devagar, poder apresentar drinks clássicos e não clássicos, de uma maneira bem desprendida, jovial e fácil de entender, principalmente. Prometo não gourmetizar meus posts haha, só evidenciar que ir a um bar e pedir um drink é mais fácil do que você imagina.

Vamos tentar quebrar – na medida do possível – um pouco do tabu que envolve esse meio (muito pela nossa cultura cervejeira tropical praiana) e abrir esse espaço para algo novo e igualmente incrível que cabe todo mundo.

Por Amanda  Mormito

/amormito

@amandamormito

www.amandamormito.com.br

Meninas Por Aí – 5 Bares no Rio de Janeiro

Papel Dourado empastado (duplamente colado), com brilho, enviado via Correios. Esta era a descrição do Save the Date que recebi há uns três meses atrás para um evento no Rio de Janeiro. Não sei se já contei aqui no Blog, mas trabalhei com Eventos Sociais durante uns dez anos, e toda vez que recebo um convite, faço a análise de todos os detalhes. Já pelo Save percebi que seria um evento extraordinário! Pensei comigo, vale um final de semana inteiro na Cidade Maravilhosa e é claro, vou poder fazer mais uma programação: o Meninas por Aí – 5 Bares no Rio de Janeiro.

Passagens compradas, hotel reservado e era hora de pedir ajuda para os nossos seguidores do Facebook e Instagram. Recebemos muitas dicas e tracei a rota para fazer tudo perto do hotel que iria me hospedar. Sempre tento me programar para fazer o máximo de trajetos a pé ou de táxi, uma vez que o tour é etílico e, dirigir e beber não combinam em hora alguma.

Claro que não podia deixar de ter mais uma expert em bares me guiando e foi por isso que agendei parte do tour com a querida Isa Bello Fornari, Sommelier de Cachaças e uma pessoa muito especial. Ela carinhosamente se ofereceu, junto ao  Paulo, mega top bartender, para me acompanhar em alguns botecos do Rio de Janeiro.

Cheguei na sexta, bem cedinho, fiz check in no Marina Palace e aproveitei para ver o amanhecer na praia do Leblon, caminhando e absorvendo o clima do Rio de Janeiro que é deliciosamente contaminante. Decidi almoçar perto do hotel e curtir o bairro a pé durante a tarde. Quem não adora o Leblon? Bom eu me apaixonei desde a primeira visita! Fui tomar meu primeiro chope do dia no Botequim Chico e Alaíde, famoso por seus bolinhos e quitutes. E que bolinhos hein?! Até eu que sou mais certinha com a dieta me acabei nos bolinhos, torresmo, caldinho de feijão e giló frito. Não conseguia parar de experimentar! O lugar  é simples, botequim mesmo, apertadinho e desconfortável,  os garçons são meio mal humorados, mas tudo vem quentinho, fresquinho e o clima de bar de esquina do Leblon te impedem de querer ir embora logo. É um boteco de verdade, do jeito que eu gosto, pra ir de rasteirinha e sem make, pra curtir uma tarde jogando conversa fora! Ai que saudade dos bolinhos e do torresmo deliciosos de lá!

CHICO E ALAÍDE

No caminho da volta para o hotel, fiz um trajeto diferente e acabei no Bar Bracarense e já que tinha mesa vaga na calçada, parei e pedi um chope! E mais outro chope, e mais outro!rs Já que eu estava lá de bobeira, passeando, why not? O chope de lá é incrivelmente mal tirado, e o famoso bolinho de bacalhau não é tão maravilhoso assim. Mas o botequim é no Leblon, na calçada, cheio de gente bonita e vale a visita pela história e pela fama de ter sido um dos melhores botecos do Rio. Dizem que era bom quando a Alaíde e o Chico ainda estavam por lá, depois de abrirem seu próprio boteco eles deixaram o Bracarense em maus lençóis. Infelizmente não consegui tirar muitas fotos do Bracarense, acabou minha bateria do Iphone (snif).

BRACARENSE

Já era quase fim do dia e eu havia marcado com a Isa ás 18h, quando me dei conta, tinha 15 minutos para ir até o hotel trocar de roupa e pegar um táxi para Copacabana, com chuva! Com um atrasinho chegamos à Adega Pérola, lugar hoje que chamo carinhosamente de paraíso! A Isa não me decepcionou e indicou um botequim de primeira. Lá tem cerveja artesanal, cachaças variadas, chope e um balcão com todos os tipos de petiscos de boteco. Tinha lula, atum, sardinha, giló, queijos, embutidos, mexilhão, alho e cebola em conservas de dar água na boca, sem falar nos que vinham da cozinha como moela, fígado, torresmo, bolinhos, coração etc. Comi uma porção de alho em conserva e sardinha frita com cebola, na sequência ataquei uma porção de queijo de cabra, tudo acompanhado de cachaça e cerveja artesanal. O botequim estava lotado, tem gente de todo tipo, mas todos curtindo o melhor da vida, um happy hour com os amigos em um ambiente genuinamente carioca. Vou ter que voltar lá toda vez que for ao Rio só para experimentar tudo daquele balcão.

ADEGA PÉROLA

Da Pérola fomos para o Flamengo, conhecer o Paris Bar e fazer uma visita ao Alex Mesquita, um dos bartenders mais reconhecidos aqui do Brasil. Eu já tinha uma expectativa de que seria um lugar legal, mas ao parar na porta já vi que estava enganada. A arquitetura impressiona, é uma casa de 1920, que pertenceu à família que foi responsável pelo aterro do Flamengo, o lugar é deslumbrante. Ao entrar, fiquei encantada com o charme e elegância do bar. Luz baixa, climatização perfeita, móveis lindos e trilha agradável fizeram o ambiente me abraçar. O Alex, gentilmente, reservou um cantinho no balcão para nós, e as cadeiras eram de zebra minha gente, um loooosho! Mas zebra chique, tá? Phyna!! Nos acomodamos e, é claro, deixei o Alex me sugerir um drink, só informei a base que é amargor e uísque e, a partir daí ele criou suas poções mágicas. Ele faz juz a fama, os drinks estavam muito, muito bons.  A companhia estava excelente, o lugar é incrível e o Paris Bar com toda certeza entrou na lista dos bares que mais gostei de visitar até hoje.

Acompanhada pelo gerente, fiz uma visita pela casa que abriga o Paris Bar, Paris Gastrô, um Piano Bar e tem espaços lindos para eventos. A casa é de tirar o fôlego e, segundo recomendações, o Gastrô merece uma visita!! Fica para uma outra vez… De lá iríamos para o Sat´s com a Isa, mas eu estava exausta e tinha que me poupar para o evento do dia seguinte iria até a madrugada!

PARIS

No dia seguinte, descansada e pronta pra mais um boteco fui dar uma volta a pé no Leblon (como é bom passear no Leblon) e acabei parando no Jobi para o almoço. De longe avistei uma movimentação na calçada! Com um calor infernal e um dia lindo, era mais do que esperado que o boteco estivesse cheio de gente bonita e desesperada por um chope geladinho.

Esperei um pouco e consegui uma mesa, bem apertadinha, num cantinho. O Jobi é um ótimo boteco, com a cara e a tradicional muvuquinha dos bares do Rio de Janeiro. As mesas são muito próximas e é um desafio aguentar o calor!rs Mas como eu sou uma apaixonada frequentadora de boteco, já esperava por este cenário. Pedi meu chope (aguadinho), e me aventurei em comidinhas deliciosas como rã empanada, caldinho de feijão, bolinho de bacalhau e é claro, torresmo! Tudo bem feitinho e com a cara do Rio! O atendimento foi bem parecido com o do Chico e Alaíde, meio mal humorado, mas funciona que é uma beleza!

JOBI

Findado o almoço, retornei ao Marina Palace e resolvi descansar até a cabeleireira chegar e me arrumar para a festa. Abri meu bom e velho Jameson para aquecer e entrar no clima para uma das melhores festas que já fui na vida. A noite foi regada a Moet Chandon Rosé prazamiga e muito Gold Label para mim! Do boteco pra uma festa “top furacão”, tudo com a mesma dose de prazer e diversão! Contraste que assina o charme do Rio e me deixa a cada visita mais apaixonada.

Pra fechar o final de semana, voltamos ao Chico e Alaíde no domingo para o almoço. Impossível sair da cidade sem experimentar mais alguns bolinhos de lá. Fui de escondidinho, choquinho (dos Deuses), bolinho de feijoada e  croc de arroz. Todos divinos! Também comi um filé com fritas pra arrematar e curar a ressaquinha! Ô comidinha gostosa viu?!

Segue um mapinha das minhas andanças no Meninas por Aí Rio de Janeiro:


 

E assim me despedi do Rio, tendo passado por muitas mesas e balcões, tomado muitos chopes e vivido intensamente como sempre!!! Foi #tophurricane! Até a próxima, cheers!

Meninas Por Aí – 7 Bares em Buenos Aires

Ruas amplas, árvores e praças cheias de bossa, arquitetura rica e uma atmosfera boêmia definiram Buenos Aires para mim. A convite da minha mãe fiz uma viagem para BsAs com mais oito mulheres da minha família. Além de conhecer a cidade pensei que poderia fazer um tour pelos bares de uma das cidades mais noturnas do mundo e trazer para vocês mais um roteiro “Meninas por Aí – 7 Bares em Buenos Aires” . Decidi, junto a minha irmã Tati, desgarrar da turma e fazer da viagem uma oportunidade para conhecer uma BsAs que os turistas não conhecem. By the way, na minha opinião, esta é a melhor forma de conhecer um destino, fugindo dos pontos turístico e experimentando um pouco da vida de quem habita o local!

Ao planejar meu final de semana lá, pesquisei umas hashtags no Insta e postamos um pedido de ajuda aos nossos seguidores que gentilmente sugeriram um montão de coisas legais. Na busca encontrei a Amanda Mormito, do Blog Buenos Aires para Chicas e a Isla Montalier do IG Buenos Aires Para Donde Voy, duas brasileiras que moram em na capital Porteña e que toparam me guiar pela noite da cidade. Me surpreendo com o poder das mídias sociais de conectar pessoas ao redor do mundo, é muito bacana encontrar na vida real pessoas tão legais que conhecemos no virtual!

Ficamos no Hotel El Conquistador, no centro de Buenos Aires, bem pertinho da Recoleta e Puerto Madero. O hotel é ótimo para a categoria, fica em uma rua tranquila, com um bom restaurante e um mercadinho a cinco passos da porta da recepção. Assim que chegamos eu e a Tati decidimos dar uma volta no quarteirão para conhecer a área ao redor do hotel. Achamos a lojinha Bora Cervezas Artezanales da Patagonia, com vários tipos de cervejas diferentes. Pena que estava fechada e não conseguimos comprar nada, mas de qualquer forma fica a dica para quem quer comprar cervejas diferentes por lá.

Cervezas

Na sequência, encontramos o resto do grupo para um lanche no Datri Café na esquina do hotel. Um lugar fofo, todo arrumadinho, com tapas e cervejas artesanais. Também aproveitamos para passar no mercadinho e abastecer nosso frigobar com cervejas locais. Compramos Quilmes (Cristal, Bock e Stout), Patagonia (lager e red) e Stella Noir. Todas foram novidade para nós. A Quilmes Stout e a Stella Noir ganharam nosso coração!

Datri Café

Tínhamos três dias e duas noites, então precisávamos escolher com cautela os bares que visitaríamos. Na sexta, nossa primeira noite, encontramos a Amanda que sugeriu três bares em Palermo, bairro mais badalado da cidade. Nos encontramos na Antarez Cervejaria Artesanal, mas estava muito cheio e teríamos que esperar ao menos 40 min. Como nosso cronograma era apertado, decidimos comer algo em outro lugar e seguir pelos bares escolhidos por ela. Uma pena, o lugar parecia muito legal!

Comemos um hambúrguer de cordeiro com queijo de cabra, batatas doces fritas e Cerveja Goldrush da Grunge Brewing Company no Ninina Backery. O Lugar tem uma decoração linda, atendimento atencioso e uma comida bem gostosa.

Ninina

Seguimos a pé (como é bom curtir um passeio noturno a pé!!), para o The Harrison Speakeasy, um bar secreto que remete a época da lei seca americana, quando era proibida a comercialização de bebidas alcoólicas nos EUA. Aliás, a maioria dos bares tem essa vibe em Buenos Aires, são escondidos, em uma portinha discreta ao fundo de algum lugar. Conseguimos entrar com a ajuda da Amanda que tem um member card, pois lá só entram membros ou pessoas que jantaram no Restaurante Nicky NY Sushi, onde o bar fica escondido.

Entramos no bar por um armário dentro de uma adega, onde uma hostess conta a história do Nicky Harrison e nos passa as regras do estabelecimento. A principal delas é que é proibido fotografar para que lá  continue sempre secreto. Uma pena, pois a decoração é impecável, uma reprodução dos bares da época, com riqueza em cada detalhe. E o balcão, ah que balcão lindo!!! Cardápios em forma de jornal dos anos 20, velas em todas as mesas, luz bem baixa, trilha sonora de blues´n´jazz e o cheiro de madeira envelhecida dos móveis determinam o tom do local. Uma experiência especial e surpreendente!! E para ficar perfeito, os drinques são de arrasar, bem feitos, preparados por bartenders charmosos e cheios de experiência. O head bartender é o especialíssimo Seba García, que nos recebeu com muito carinho. Sentamos inicialmente em uma mesa e depois conseguimos nossos lugares no balcão (ou na barra como chamam os porteños), e lá tomamos shots e mais um drinque para finalizar. Queríamos ficar, mas tínhamos outros bares para visitar. Voltaremos com certeza para ficar uma noite toda por lá, vale cada minuto!

De lá partimos para o Victoria Brown Bar, um bar com decoração inspirada na revolução industrial, com engrenagens nas paredes e tonéis em forma de lustre espalhados pelo salão . Maior  e com mais gente, o ambiente lá é bom para a paquera e tem uma vibe mais animadinha. É impressionante como os bares são pensados de forma minuciosa e cada detalhe é tido como muito importante. Os tragos eram muito bem feitos, escolhi meu bom e velho Old Fashioned e ele não decepcionou. Era diferente, tinha um toque mais amargo que o de costume, mas estava delicioso.

Victoria

Tínhamos marcado com a Isla para conhecermos o Rosebar depois do Victória, mas não foi possível, pois estávamos exaustas e já passava das três da manhã. Resolvemos deixar para o dia seguinte ou para outra oportunidade. De qualquer forma o Rosebar é recomendadíssimo e com certeza está na nossa lista para quando voltarmos.

Acordamos no sábado e resolvemos ir a pé até a Livraria El Ateneo, eleita a segunda livraria mais bonita do mundo. Sou um tanto desconfiada destes títulos amplamente divulgados, mas o local me conquistou e ficamos lá a manhã toda! Decidi ficar no setor de gastronomia enquanto minha irmã se esbaldava nas autoras feministas, afinal ela é a nossa colunista feminazi. Achei muita coisa bacana e acabei trazendo alguns livros com receitas de tragos para casa.

El Ateneo

A tarde pensamos em fazer uma paradinha no Bullers Pub & Brew, que estava perto do nosso rolê turístico pela Recoleta e, para nós, terminar um passeio com uma boa cervejinha é de lei! O bar estava meio vazio, era uma tarde cinza em Buenos Aires, sentamos na área externa, na praça, e pedimos o sampler das cervejas da casa, com uma porção de batata doce frita. Achamos a cerveja razoável, sem muito corpo e com um amargor muito presente sem acrescentar uma nota saborosa à receita. Não achamos o bar um lugar incrível, é razoável, perto dos outros bares de Buenos Aires, este deixa muito a desejar.

Bullers

Voltamos para o hotel e a noite nos encontramos com a Isla, do Buenos Aires para Donde Voy. Ela nos guiou por mais três bares e foi uma querida também! Começamos pelo The Temple Bar, na filial que ficava no quarteirão do nosso hotel. Não é a filial mais bacana, mas é um pub interessante, bem decorado, passamos para conhecer já que ficava literalmente a alguns metros do hotel. Não conseguimos ficar mais que cinco minutos, pois estava muito, muito cheio e achamos melhor ir para outro local. A matriz do The Temple Bar, segundo a Isla, é muito mais bonito e merece uma visita. Fica para próxima!

Seguimos para o Gran Bar Danzón, outro bar na Recoleta super recomendado! Descemos do táxi e vimos uma portinha na calçada, sem identificação nem nada. Fiquei receosa, pensei que podia ser uma furada, mas minha opinião já mudava ao subir as escadas e quando entrei, me apaixonei! O lugar é lindo, com decoração contemporânea, iluminação perfeita, luz baixa e gente muito bonita. Não conseguimos sentar na barra, mas fomos rapidamente acomodadas em uma mesa. O atendimento demorou um pouco para começar, talvez devido ao grande número de pessoas. Como estávamos encantadas com o local e o papo estava ótimo, acabamos por nem sentir muito. Pedimos os nossos tragos e de entrada uma Tarte Tartin de Maçã e Queijo de Cabra (AMO queijo de cabra!). Estava DI-VI-NA! Uma festa na boca! Os drinks também eram bons, mas a comida é mais marcante. Para o prato principal, pedimos Pato com Creme de Castanhas (feito com perfeição), e Polenta com Carne de Cordeiro. Os dois estavam DE-LI-CI-O-SOS! A Isla foi de sushi vegetariano e também gostou muito.

 Gran Danzon 1

Gran Danzon 2

De lá fomos para nossa última parada, o Florería Atlântico, segundo colocado no The World´s 50 Best Bars. Também na Recoleta, fica numa rua charmosa, cheia de bossa. De fora, parece só uma floricultura (linda), que também vende vinhos, mas existe uma portinha, que te leva à um porão com um balcão comprido e uma decoração desconstruída, com cara de que precisa de restauração mas é intencional sabe?

Conseguimos nossos três lugares na barra e fomos prontamente servidas com água em copos lindos, fofos! A água lá é cortesia, um mimo que ao meu ver é muito carinhoso e inteligente. Pegamos o cardápio e começamos a escolher nossos tragos. Os nomes eram inusitados, a Tati foi de Mary Poppins goes Punk, com notas adocicadas e canela e a Isla optou por um mais refrescante e com espumante. Eu fui de British Worker, com uísque na composição, um dos meus ingredientes favoritos num drink. Os três estavam ótimos, bem feitos,  elaborados com sabedoria. A decoração era linda, em canecas de ágata e taças charmosas. Infelizmente não conseguimos comer, a cozinha já estava fechada devido ao horário, chegamos às duas da manhã! Num contexto geral o bar é charmoso, o atendimento é bom, o ambiente é agradável, mas não está no topo da lista dos meus melhores bares… Sentimos falta de nos relacionar mais com os bartenders, gostamos do balcão pela interação com o universo de quem está do outro lado, pelo show e a oportunidade de conhecer coisas e pessoas novas. Lá os bartenders não estavam muito pra papo e também não nos guiaram pelas opções de drinks. Senti falta de um chamego que é usual na barra!

Florería

Buenos Aires deixou saudades no meu coração, voltarei em breve Mi Buenos Aires Querído, para mais tragos e mais bares marcantes!! Cheers!

Feras da Coquetelaria se reúnem em Evento da Grey Goose

No dia 05 de novembro fomos conferir a final do campeonato de coquetelaria Grey Goose Vive La Révolution, promovido pela marca de vodca. Realizado em São Paulo, na Tofiq House, no Jardim Europa, o evento reuniu os onze finalistas das etapas anteriores e as feras da coquetelaria brasileira.

O desfio principal era criar um drink com a vodca Grey Goose e um elemento artesanal inspirado no tema Fly Beyond. Em paralelo à competição principal, os 11 concorrentes também tiveram um desafio surpresa que foi enviado 3 dias antes da data do evento. O Embaixador da Grey Goose, Tony Harion, propôs que os participantes criassem uma Caipirioska Gourmet, uma releitura do drink mais brasileiro que existe.

Entre os finalistas encontramos um competidor da nossa terrinha, o Caio Bonneau (foto abaixo), que representou São José dos Campos com categoria e é um dos poucos bartenders da cidade que conhecem a fundo a Coquetelaria Brasileira e Internacional. Também identificamos que as meninas estão começando a brilhar neste contexto, dentre os finalistas, concorreu uma representante do sexo feminino. Percentual ainda pequeno na nossa opinião, mas a Gisele Rodrigues estava lá, brigando pelo seu espaço na competição!

Bonneau

Os bartenders ganharam o campeonato de coquetelaria Grey Goose Vive La Révolution foram: Matheus Cunha (à esquerda da foto abaixo), do The Sailor Legendary Pub, com o drink “O Comandante” na categoria Fly Beyond e Sylas Rocha (à direita da foto abaixo), do Noh Bar, com a Caipiroska La Fusion.

Nova pasta

Foi uma delícia podermos estar presente no Evento e poder ainda tomar uns bons drinks!!!! Vejam o vídeo do Cocktail Channel.

 

 

Confiram as receitas para vocês conhecerem os drinks de forma detalhada!!

 

 

O Comandante (2)

O Comandante

60 ml – Grey Goose
30 ml – Shrub de Cupuaçu artesanal
20 ml –Maracujá do Cerrado
20 ml – Licor de Pitanga artesanal
5 gotas – Bitter de Chimarrão artesanal
Modo de Preparo: Bater todos os ingredientes em uma coqueteleira
Guarnição: Zest de laranja
Acompanhamento: Snacks

Caipiroska Gourmet-La fusion (2)

La Fusion

50 ml – Grey Goose La Piore
25 ml – Simple syrup
3 gomos – Tangerine
1 gomo – Limão taiti
2 folhas – Rúcula
Modo de Preparo: Macere os ingredientes, bata na coqueteleira e faça uma coagem dupla antes de servir.
Guarnição: 1 fatia de tangerina e rúcula

Mentes Brilhantes 2014 – Maior Evento de Mixologia da América Latina

As inscrições para o Mentes Brilhantes 2014, maior Evento de Mixologia da América Latina, começam hoje ás 19h!

O encontro reúne os maiores nomes da mixologia mundial em palestras gratuitas e acontecerá no Espaço Rio Verde, em São Paulo, nos dias 10 e 11 de novembro das 12h às 20h.

MB

Entre os palestrantes estão Giuseppe Gallo, embaixador global da Martini; Marco De La Roche, da Casa Café e Mixology News; André Junqueira, da Morada Etílica; Edu Passareli, do Aconchego Carioca; Marcelo Carneiro, da Cervejaria Colorado; Sandra Mendes, barwoman do Teto Solar; André Bueno, do Barones Bartenders; Elvis Campello, do SENAC Penha; Luis Cláudio Simões, da Asssociação Brasileira de Bartenders; Marcelo Serrano, barman da Brasserie Des Arts; Angel Ojea, um dos barmans com maior experiência do mundo; Arnaldo Hirai e Renato Martins, sócios do Boca de Ouro; Jotabê, do Blog Boteco do JB; e Jean Ponce, do D.O.M. e do Riviera.

Para maiores informações e se inscrever nas palestras basta acessar o site www.mentesbrilhantes2014.com.br ou a  Fan Page.

Espaço Rio Verde – Rua Belmiro Braga, 119, Vila Madalena, nos dias 10 e 11 de novembro, das 12h às 20h.