Entenda melhor os rótulos de cerveja – Parte 1

Se você gosta de cerveja provavelmente já comprou alguma pela beleza do rótulo. A gente se deixa encantar pela estratégia de marketing, mas, além de ser um chamariz, o rótulo também deve, obrigatoriamente, conter algumas informações fundamentais para entender o produto.

Para aqueles que estão começando a se aventurar na fascinante variedade e diversidade do mundo da cerveja, uma ida em algum empório especializado pode ser gerar um mar de dúvidas. Entender sobre estilos e outras características da bebida não é das tarefas mais fáceis, mas está longe de ser ciência de foguete. O importante é ter um ponto de partida para se ter boas experiências.

Como todo produto, quanto mais conhecemos suas características mais podemos absorver suas nuances e aproveitar a experiência como um todo. Para auxiliar nessa jornada vamos dividir esse texto em dois: informações obrigatórias que todo rótulo de cerveja deve conter, características comuns que podem auxiliar na hora da escolha da sua cerveja e no próximo texto um apanhado sobre os estilos mais consumidos.

Informações obrigatórias:

No Brasil a entidade que registra e fiscaliza a produção de cerveja é o MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária e Abastecimento). Além de assegurar que o produto é próprio para consumos algumas informações obrigatórias nos rótulos garantem a rastreabilidade e melhor entendimento do produto. As mais importantes são:

  • Teor alcoólico: ABV é a abreviação de Alcohol by Volume, ou álcool por volume. É o número de ml de álcool etílico presente em cada 100ml de bebida alcóolica quando medido a 20ºC e é expressada em percentagem por volume total. O MAPA divide a classificação alcoólica em três: fraca, forte e extra. Observar o teor alcoólico vai te ajudar não só a consumir quantidades mais moderadas, mas também dizer um pouco sobre a temperatura de serviço da bebida. A regra é simples, quanto maior o teor alcoólico menos gelada se deve beber a cerveja. Por exemplo, uma cerveja de 11% de ABV a 8ºC. Estupidamente gelado é algo para quem não quer sentir nem sabor nem aroma.
  • Composição: todos os ingredientes utilizados na receita, inclusive os quatro básicos – malte de cevada, água, lúpulo e levedura – devem ser informados no rótulo. Algumas receitas levam outros tipos de grãos (trigo, aveia, centeio, etc), frutas, especiarias, chocolate, mel e uma infinidade de outros ingredientes. A proibição de se produzir no Brasil cervejas com produtos de origem animal, como mel e leite, está com os dias contatos. Acredita-se que para o início de 2016 todas as sanções burocráticas já estejam resolvidas e logo logo veremos nas prateleiras os reflexos dessa mudança. Cervejas importadas, desde que permitido em seu país de origem, podem conter esses ingredientes.
  • Cor: existem duas escalas para se medir a cor na cerveja, a europeia (EBC – European Brewery Convention) e a americana (SRM – Standard Reference Method). Ambas possuem numerações para classificar a cor que vai de amarelo palha a preto. O MAPA classifica em duas categorias: clara, para cervejas com até 20 EBC e escura para cervejas com mais de 20 EBC. Como essa é uma informação obrigatória os fabricantes ficam reféns da legislação. O fator mais impactante na cor da cerveja é o malte, ou o seu grau de tosta. Quanto mais torrado o grão mais escura ficará a cerveja. Alguns outros ingredientes como açúcares e frutas (muito utilizados em cervejas de estilo Belga), e reações químicas também contribuem para a cor da cerveja. Muitas pessoas tendem a acreditar que cervejas escuras são mais alcoólicas, porém não existe qualquer tipo de relação entre a cor da cerveja e seu teor alcóolico.

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  • Fabricante: além do nome da marca e do produto, todo rótulo precisa ter o local onde foi fabricado. Procure beber cervejas produzidas perto de você. Ao beber cervejas locais você apoia a produção na sua região, paga menos pelo produto (em geral) e contribui com menos geração de poluição. Cerveja é uma bebida delicada e, caso o método de transporte não for adequado acarretará em perdas de qualidade na bebida.
  • Validade: cervejas devem ser consumidas frescas e jovens. Quanto mais perto da data de produção melhor será a qualidade da cerveja. O agradável aroma dos lúpulos é um dos primeiros atributos a esvanecer e com o tempo a oxidação de outros compostos pode gerar aromas e sabores não muito agradáveis. Tudo o que ninguém quer, mais uma razão para procurar cervejas locais, a garantia de frescor é maior. Há também alguns estilos de cerveja que irão se tornar mais complexos e melhorarão com o tempo se claro, conservadas da maneira correta.
  • Registro do produto/produtor no MAPA: são as siglas do estado onde o produto é registrado mais o número do registro. Cervejas sem esta identificação estão sendo comercializadas irregularmente, muitas vezes sem o pagamento de impostos, o que além de ilegal é imoral. Que o imposto na cerveja é absurdo já sabemos, mas não isenta o seu pagamento. Além de enfraquecer o movimento da cerveja artesanal é uma competição injusta com aqueles que estão em dia com seus tributos. O seu amigo que faz cervejas em casa está isento desse registro e também impedido de comercializar o produto. Regras do mercado.

Bom, já falamos sobre algumas características obrigatórias, agora vamos para outras definições comumente encontradas:

  • Session: basicamente significa um estilo especifico revisitado com teor alcoólico mais baixo. Tendência forte no mercado internacional (resgatada da história cervejeira inglesa), já conta com uma boa variedade de rótulos no Brasil. Ainda não há definições claras, mas em geral possuem teor alcoólico abaixo de 4,5% ABV.
  • Imperial: quando uma cerveja possui a denominação Imperial antes do estilo significa que ela é mais encorpada ou amarga ou alcoólica ou tudo junto! Amarga se aplica apenas para alguns estilos onde a lupulagem da cerveja já é mais presente, embora não seja uma regra. De uma forma geral as cervejas com a designação “Imperial” possuem maior teor alcoólico.
  • Double: não necessariamente o dobro de uma medida mas também significa que é uma versão mais carregada em algum elemento, seja o malte ou lúpulo.

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  • American/English: isso não significa, necessariamente, o local de produção e sim questões relativas ao terroir. Sim, também temos terroir na cerveja, por mais que alguns debatam a respeito. No caso das APAs (ou American Pale Ales) isso significa que os lúpulos utilizados são americanos que, em geral, são mais cítricos e resinosos que os de outras regiões. Isso também se aplica para o termo English, que no caso dos lúpulos tem características mais terrosas.
  • IBU é a sigla para International Biterness Unit ou, Unidade Internacional de Amargor. É a escala de amargor da cerveja. Quanto maior o IBU mais lupulada (ou amarga) é a cerveja.
  • Ales e Lagers: são famílias de espécies de leveduras. Lagers são tipos de cervejas produzidas utilizando leveduras que fermentam em baixas temperaturas (5 a 12ºC). Em geral Lagers possuem menos complexidade no aroma, são mais refrescantes e com sabores mais suaves. Ales são tipos de cerveja produzidas utilizando leveduras que fermentam em temperaturas mais elevadas (14 a 25ºC). Em geral possuem características de sabor e aroma mais complexas.
  • Dry Hopping: é a técnica de infusão a frio que intensifica os aromas do lúpulo na cerveja sem deixá-la mais amarga. O procedimento europeu, popularizado nos Estados Unidos é muito utilizado aqui no Brasil. Geralmente o Dry Hopping é feito de uma única variedade de lúpulo, embora outros possam ter sido utilizados para conferir amargor à cerveja.
  • Single Hop: as cervejas single hop utilizam apenas uma única variedade de lúpulo (hop) para amargor e aroma. O interessante dessa técnica é poder sentir as características singulares daquela variedade na cerveja. A exemplo dos lúpulos Simcoe e Amarillo cujas características aromáticas se assemelham a maracujá.

É sempre bom ler o rótulo para buscar mais informações sobre a cerveja. Alguns fabricantes são bem caprichosos e adicionam várias informações sobre o produto e outras informações como temperatura e copo ideal para o serviço, que tipos de comidas harmonizam com a cerveja além de algumas histórias sobre aquele rótulo em particular. Outros rótulos são mais divertidos e descolados e brincam com as características da cerveja de forma criativa.

Sempre busco pesquisar um pouco sobre a cerveja que estou bebendo, onde foi produzida, se usa algum tipo de ingrediente ou técnica diferente, se tem alguma história por trás do rótulo, como surgiu o nome… acho essa parte tão divertida quanto a própria cerveja. E você, tem alguma história divertida ou um rótulo favorito de cerveja?

Priscilla Colares

Sommelière e Mestre em Estilos de Cerveja

www.pricolares.com.br – Insta @pricolares_

Mediterranean inspirations – Campeonato da Gin Mare

Na última segunda-feira, 29/06, às 15h30, no SubAstor, bar localizado na Vila Madalena, em edição inédita no Brasil, bartenders brasileiros competiram por uma vaga no Mediterranean Inspirations, campeonato mundial da Gin Mare, marca espanhola de gim, que pretende escolher os melhores drinques elaborados com a bebida. A competição surgiu através de uma parceria entre a Mr. Man, importadora de bebidas com a marca.

Os barmen apresentaram aos jurados duas receitas elaboradas com Gin Mare: um coquetel criativo com gim de própria autoria e uma receita de Gim Tônica com sua percepção de como o drinque deve ser.

IMG_0238Após inscreverem seus drinques, foram selecionados os seguintes bartenders: Claudesmith Aires, do Bar Bristol; Ricardo Basseto, do Bossa; Thiago Sanchez, do Noh Bar; Marcelo Vasconcellos, da Casa 92; Rafael Pizzanti, do Barê; Vinicius Ribeiro, do Riviera; Matheus Cunha, do Satay e Heitor Marin, do Tête à Tête.

Os jurados dessa etapa do concurso foram Diego Man, diretor da Mr. Man, o Fabio LaPietra, chefe de bar do SubAstor, Benny Nowack, e Ailin Aleixo, editora do site Gastrolândia.

E durante os intervalos da competição os convidados puderam degustar de Gim Tônica com manga e pimenta do reino, elaborada pelo bartender Fernando Lisboa, do Cuttelo SteakBar.

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E a classificação desta etapa foi a seguinte: em terceiro lugar Matheus Cunha, do Satay, em segundo lugar Rafael Pizzanti, do Barê e em primeiro lugar Heitor Marin, do Tête à Tête.

O torneio é uma forma da marca Gin Mare compartilhar seus valores e conectar pessoas através da criação de suas receitas. Para os bartenders brasileiros foi uma oportunidade de troca de experiências e conexão com as tendências do segmento de mixologia do mundo todo. As etapas classificatórias serão realizadas nos países competidores dessa edição do Mediterranean Inspirations, como Alemanha, Itália e México, e cada vencedor local participará da final realizada na Villa de Gin Mare, em Ibiza, de 6 a 8 de setembro, concorrendo a prêmios de €1000 a € 4.500.

Coluna da Isa – Meninas na Cachaça

O Brasil por sua dimensão e cultura apresenta contrastes, mistérios, fés, particularidades e sabores em cada pedacinho colorido de chão. As cachaças refletem isso, são uma forma de sentir e reconhecer essa identidade tão diversa em um ou alguns goles.

A cachaça é o destilado de maior riqueza sensorial! Não só pelas particularidades territoriais e humanas de cada produtor, mas também pela variedade de madeiras brasileiras em que se pode envelhecê-las!! O resto do mundo só tem o carvalho. Ela é a nossa bebida nacional e garanto, é incrível.

Cahcaças

Foto: Alambique da Cachaça

As Cachaças de Alambique são garotas do Brasil, todas diferentes entre si. Compostas por porções de doçura, delicadeza, perfume, história e intensidade. Seguindo esse raciocínio costumo brincar que, como uma boa mulher, se você não respeitar e escolher bem, ela te derruba, te faz fazer besteira e dá dor de cabeça. rsrsrs
Antes de mais nada quero esclarecer que isto não é uma visão machista! Simplesmente considero que sim, pessoas são complexas e mulheres mais ainda. Por isso digo que nós, mesmo que “iguais”, sempre reservamos mistérios e personalidades únicas.

Ah, só um dado observado por mim, que não é mais novidade: As mulheres estão, a cada dia mais, ganhando espaço no mundo dos copos pela competência. E destaco profissionalismo das saias nessa tarefa desafiadora e deliciosa!

Não é de hoje que as mulheres tem um papel fundamental na cachaça. Um vídeo que explica um pouco dessa atuação com a autora do livro “Cachaça, um amor brasileiro”, Alessandra Trindade, foi gravado pelo lindo projeto Mapa da Cachaça. E, super vale curtir essa iniciativa cheia de brasilidade e conteúdo!!!

 

Já que somos do boteco, vou dar algumas dicas para quem tiver interessada em se deixar seduzir pela nossa caninha. Cada uma delas tem seu encanto!

Primeiro, para ser cachaça, deve ser o destilado da garapa, produzido no Brasil, possuir de 38% a 48% de graduação alcoólica e não conter adição de nenhuma outra coisa. Bebidas mistas de cachaça com algo doce são aguardentes compostas de um destilado com adição de alguma outra coisa.

Se você pensa que não gosta de cachaça, se dê mais uma chance! Xô, preconceito!! A experiência positiva depende da escolha e de você descobrir seu paladar. São mais de 4.000 produtores registrados no Ministério da Agricultura!!!

Prefira as artesanais de boa procedência. Para encontrá-las o mais garantido é ir a um bar que trate elas com amor e carinho. Como saber isso? O uso da cachaça nesse lugar vai além da caipirinha! Nesses lugares nossa bebida estará em destaque, em drinks e/ou em doses servidas com muito respeito e louvor.

Achou o lugar? Siga as dicas abaixo:

1. Veja os rótulos e não tenha vergonha de pedir para lê-los, observe a inscrição do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), e o registro;
2. Abra a garrafa, os aromas você perceberá melhor ao passear algumas vezes de um lado ao outro na linha abaixo do nariz. Veja o que acha;

Coluna da Isa

Foto: Gui Gomes

E vale sempre a dica do garçom. Afinal, eles são nossos maiores amigos, não é mesmo? Quem conhece melhor o bar do que eles??? Se sentiu interessada?

3. Peça uma dose!
4. Observe a limpidez dela. Ela deve ser transparente. Gire um pouco o líquido, observe se cria lágrimas (Sim! Igual ao vinho). Perceba se é mais ou menos “licorosa”, saca??
5. Sinta os aromas novamente e tente encontrar notas familiares e que lhe agradam!

Só uma pausa: a gente não vira num gole só coisa boa, não é mesmo? Se toma em um só gole coisas que não se quer sentir o gosto. Tipo remédio! E, gente, nada de abrir a boca e fazer aquele som de “tchá”, por favor! Não favorece em nada a degustação e não é nada elegante!

Continuando:

6. Molhe a boca, um pequeno gole;
7. Deixe ela percorrer toda sua língua por alguns segundos. Perceba ela. Repare a doçura, a picância (uns tilintins sapecas como formigamento), a acidez, o frescor e o caminho que ela parece fazer na sua boca;
8. Engula e note o gosto. Se se transforma, quanto tempo dura;

Há quem diga que sente melhor os aromas se soltar o ar, dar o gole, fechar a boca, deixar a cachaça passear na língua e a primeira inspiração após gole ser através do nariz.

9. Repita as etapas quantas vezes achar necessário!!!!

Perceberam como é envolvente? Sinuoso e sensual? O processo todo é regado de paquera, carinho, descoberta. A cada dia ela faz mais corações apaixonados. E tem como resistir a tanta personalidade e doçura???

Sempre me surpreendo em #meusdiascomela.

Isadora Bello Fornari / Sommelier e Embaixadora da Cachaça / @isadinha

Mentes Brilhantes 2014 – Maior Evento de Mixologia da América Latina

As inscrições para o Mentes Brilhantes 2014, maior Evento de Mixologia da América Latina, começam hoje ás 19h!

O encontro reúne os maiores nomes da mixologia mundial em palestras gratuitas e acontecerá no Espaço Rio Verde, em São Paulo, nos dias 10 e 11 de novembro das 12h às 20h.

MB

Entre os palestrantes estão Giuseppe Gallo, embaixador global da Martini; Marco De La Roche, da Casa Café e Mixology News; André Junqueira, da Morada Etílica; Edu Passareli, do Aconchego Carioca; Marcelo Carneiro, da Cervejaria Colorado; Sandra Mendes, barwoman do Teto Solar; André Bueno, do Barones Bartenders; Elvis Campello, do SENAC Penha; Luis Cláudio Simões, da Asssociação Brasileira de Bartenders; Marcelo Serrano, barman da Brasserie Des Arts; Angel Ojea, um dos barmans com maior experiência do mundo; Arnaldo Hirai e Renato Martins, sócios do Boca de Ouro; Jotabê, do Blog Boteco do JB; e Jean Ponce, do D.O.M. e do Riviera.

Para maiores informações e se inscrever nas palestras basta acessar o site www.mentesbrilhantes2014.com.br ou a  Fan Page.

Espaço Rio Verde – Rua Belmiro Braga, 119, Vila Madalena, nos dias 10 e 11 de novembro, das 12h às 20h.